Convento e Cruzeiro de São Marcos

Dados do Património
Nome: Convento e Cruzeiro de São Marcos

É um antigo mosteiro, fundado no século XV, devorado, em 1860, por um incêndio. Salvou-se a Igreja, de grande valor artístico. O exterior deste templo é singelo, apresentando a sua fachada as linhas comuns das igrejas barrocas congéneres, do século XVII. O interior, por seu turno, contém a mais importante galeria de estátuas
tumulares existentes em Portugal e um dos retábulos capitais de escultura produzidos pelos imaginários franceses vindos para o nosso pais no século XVI, e em arquitectura, uma das mais puras expressões da renascença peninsular: a formosa capela dos Reis Magos. A Igreja tem, por limiar, uma galilé com 3 arcos voltados a poente para o Rossio e Cruzeiro.
O Ingresso no corpo do templo faz-se por uma porta de cimalha rendilhada e decorada de folhagem de gosto manuelino mas com reminiscências curiosas dos desenhos joaninos da Batalha.
Logo à direita, junto da porta que leva para o desaparecido claustro, encontra-se, em singela edícula, uma pequena urna com as relíquias de Gonçalo Gomes da Silva, o alcaide de Montemor e embaixador em Roma, tendo de um lado, a pedra tumular de seu neto Aires da Silva, o da Alfarrobeira; e do outro, o túmulo imponente do seu bisneto, Fernão Teles de
Meneses, único exemplar no panteão de características góticas. A concepção sugere vagamente um leito nupcial. (como Jaime Cortesão numa romântica efabulação aponta), não devendo, com efeito, esquecer-se que o guerreiro morreu prematuramente e que o monumento presente "a sua mulher o mandou fazer em vida e aqui se mandou sepultar para
jazeram os ossos tão juntos como foram as vontades": Um grande cortinado de pedra Anca suspenso dum dossel gótico, desce em harmoniosos panos, levantados por dois
pequenos selvagens. O frontal desta é ocupado por três escudos e por uma larga filatéria estendida no alto com letreiro:
acaba de encher os espaços livres, uma variada decoração vegetal. A capela-mor, de construção manuelina, possui uma abóbada típica de estrutura com nervuras em disposição estreladas,
levando-se mísulas muito adornadas. A arquitectura desta capela deve pertencer a Diogo Castilho. Aires da Silva dotou-a de um retábulo e de três arcos tumulares, abertos na parede do evangelho. A primeira zona recorta-se de um arco central, com o alto relevo de Cristo descido da Cruz movimentado e cheio de figuras; ficam-lhe ao lado dois nichos, com os doadores ou
padroeiros ajoelhados, á esquerda Aires da Silva e o seu padrono São Jerónimo, á epístola D. Guiomar de Castro apresentada por São Marcos. Pilastras adornadas às quais se antepõem colunelos. Frontões dominam estes três corpos, encontrando-se o Padre Eterno no central. O corpo inferior contem o Sacrário e quatro nichos com alto relevo.
Representa-se ali, partindo da esquerda: São Jerónimo e o leão, os santos e os mercadores, São Jerónimo penitente, sua morte. As pilastras divisórias mostram nichos com São Gregório, São Sebastião, São João Baptista e um Santo Bispo. O túmulo da fundadora do convento, D. Brites de Meneses, é obra manuelina. Ao lado da epístola da capela-mor, encontra-se a
sepultura do regedor João da Silva, seguindo-se a porta da sacristia. No plano do altar, há um arco tumular do século XVII. O refeitório deste antigo mosteiro ficava no lanço do Sul são paredes em ruínas. Do claustro, já nada resta. O celeiro no plano térreo do grande dormitório é uma obra de mérito do século XVI.
 
Cruzeiro de São Marcos
Datado de 1783, compõe-se de plinto octogonal, haste canelada estreitando em altura, com nó processional e cruz de braços liso.